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Os frutos da persistência

Atualizado: 31 de out. de 2022

Espetáculo celebração do Nômades revive a memória de seus grandes trabalhos


O Nômades Grupo de Dança completa 20 anos de existência e celebra essa trajetória com um projeto de circulação internacional de seu último espetáculo, Memória da Carne Nômades, que foi apresentado nesta quinta-feira no Centro Cultural UFG, na programação do Goiânia em Cena. A plateia lotada pôde assistir à obra que será levada aos palcos de Salvador, Buenos Aires e Santigo do Chile nesse mês de novembro.


Memória da Carne Nômades revisita espetáculos chave da trajetória do grupo, que se manteve produtivo e passou por diversas formações ao longe desses vinte anos, encabeçado pela diretora e coreógrafa Cristiane Santos. Com tanto tempo de estrada, o Nômades tem lugar na memória do público de dança goiano. Eu mesmo, nos tempos de colégio no antigo CEFET, tive meus primeiros contatos com a dança contemporânea através do grupo, que à época ensaiava no local e dava os passos dos seus primeiros anos de história.


Devo confessar que, nos primeiros momentos de Memória da Carne, quase vinte anos depois daquela primeira aproximação, fui tomado pela sensação de estar vendo algo que já conhecia, e que se repetia. Temi que se acumulassem uma depois da outra coreografias que exploram elementos da dança contemporânea que, nascidos da ideia de liberdade do movimento foram se cristalizando em um estilo e perdendo seu sentido e potência. Pensava ainda no risco de se ter um elenco que se renova sempre, e pode estar sempre descobrindo o que já descobrira o grupo anterior.

Mas passado o aquecimento, digamos, Memória da Carne vai ganhando identidade e estabelecendo sua própria fluidez. Não sei quando deixei de reparar nos diversos elementos visuais e sonoros, nos textos em off que falavam sobre o dançar, sobre memória, e que pareciam querer dizer mais do que a própria dança nos diria. Creio que quando eles deram espaço à própria dança, tudo fluiu.


Faço essa observação, mas de algum modo o tom dos textos, a estética das projeções, a música, tudo estava preparando essa ambiência na qual o espetáculo atinge seu melhor momento: quando as coreografias se alternavam sem quebras, quando cada quadro fomentava as emoções do seguinte. Embora alguns números viessem sem nos levar consigo, tudo habitava um universo já estabelecido, de certa introspecção, que valorizava as individualidades e vontades dos dançarinos. Corpos fluindo.


Poderia dizer que o espetáculo tem um terceiro momento, em que uma quebra se impõe. Para mim, que me deixara embalar e desfrutava o fluxo intimista dos quadros anteriores, restou aceitar a nova pegada, em que coreografias coletivas e músicas mais agitadas, com batida eletrônica e até letras em inglês, ditavam movimentos mais agressivos e uma apelação mais direta com o público. Embora avulso, esse terço final do espetáculo também atingia equilíbrio e unidade, e Memória da Carne nômades finaliza com o público bastante satisfeito.


Elenco: Ludmitla Rocha, Julia Ormond, Dinekelle Lemes e Rodrigo Flamarion

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